segunda-feira, 19 de março de 2012

O dia do mergulho

Por Juliana Saad Sanchez




               Quando estava no segundo ano do Ensino Médio da escola, minha classe teve que fazer uma viagem à Paraty para conhecer os seus centros históricos. Além de ter que andar horrores no chão em formato de paralelepípedo, ser picada por todos os mosquitos imagináveis e derreter no sol escaldante da cidade, no penúltimo dia era o tão esperado “Dia do Mergulho”. Obviamente com esse nome já deu para entender que nós fomos de barco até o alto mar para ter a experiência maravilhosa (maravilhosa mesmo, não estou sendo irônica!) de mergulhar.
               Eu lembro que estava muitíssimo ansiosa junto com meus amigos. Nunca tinha feito aquilo antes e estava curiosa para saber como era ver o fundo do mar de perto. Embora estivesse um pouco receosa por justamente ser a primeira vez.
               Tudo foi muito bom. Se pudesse resumir numa só frase, seria essa. Demos muita risada, fizemos brincadeiras na água e o dia estava incrivelmente lindo. Sabe quando você olha para o céu e não vê nenhuma nuvem? Ficamos especialmente felizes por causa disso porque nos dias anteriores acabou chovendo e existia a possibilidade do mergulho não dar certo. Ainda bem que deu!
               O fato engraçado do dia foi eu colocando a tão famosa roupa de mergulho. Justo eu que sou toda atrapalhada, para colocar aquela roupa toda apertadinha, não foi nada fácil.  Sou daquelas que não consegue andar nos lugares sem bater nos outros sem querer ou então derrubar os objetos em volta. Depois de sofrer muito para conseguir me enfiar naquela roupa, não conseguia nem me mexer. Aqueles pés de pato também não quiseram colaborar com a minha pessoa. Parecia um pinguim andando, ou pelo menos, tentando.
               Pedi para o Paulo, um dos meus melhores amigos, tirar uma foto da minha situação. Quando coloquei aquela máscara de mergulho, parecia um inseto gigante. Incrível como a gente muda, de pinguim passei para formiga.
               Chegou minha hora. Pulei no mar, apresentei-me para o instrutor e ele perguntou se podíamos começar a afundar. Não lembro exatamente como isso funciona, mas eu sei que eu coloquei uma espécie de cinta para eu boiar sem fazer nenhum esforço no mar e ela também servia para me fazer afundar e ficar submersa.
               Aos poucos senti meu corpo descendo e descendo. Quando fiquei totalmente embaixo d’água, tive que respirar com aquela máscara de oxigênio e quase entrei em pânico. Pedi para o instrutor subir para eu respirar direito e ver se acostumava com aquilo. Afundamos de novo.
               “Agora sim”, pensei. Peguei o jeito da coisa e consegui finalmente respirar. O instrutor que estava junto comigo foi me guiando para dar uma volta no fundo do mar. Passamos por umas pedras que haviam milhares de peixes pequenininhos, lembro que ele ficava apontando para eu ver e toda hora fazia o sinal de “ok” para saber se eu estava bem e se podíamos continuar com o passeio.
No fundo do mar me senti naqueles documentários da Discovery que passavam na aula de Biologia. Com certeza foi uma das melhores experiências que já tive. Lá embaixo é tudo tão silencioso e calmo que dá a sensação de que nada mais existe. Só você, os peixinhos e o instrutor ao lado fazendo sinal de “ok”.

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