segunda-feira, 19 de março de 2012

O "quartinho"


Por Mario Romancini


Havia passado duas semanas no Canadá a trabalho e era o dia de voltar para casa. Estava exausto e só queria dormir na minha cama! Meu vôo para Miami embarcava as 18:45 da noite então como um bom cidadão cheguei com duas horas de antecedência no aeroporto. Sempre utilizava um visto especial para entrar nos EUA ja que estava trabalhando lá e nunca tinha tido problemas com a imigração até então. Após o check-in me surpreendi em ver que a alfândega para a entrada nos EUA era feita em Toronto, ou seja em solo Canadense! Me direcionei a fila e depois de longos 50 minutos o oficial me chamou. Entreguei meu passaporte da mesma forma que fiz inúmeras vezes, mas dessa vez seria diferente. Por algum motivo o sujeito estava de mal-humor.
A autoridade me fez inúmeras perguntas estranhas e em seguida me mandou seguir para uma sala. Naquele momento não podia mais perguntar nada, falar nada e nem mesmo utilizar o telefone celular para avisar ninguém do que estava ocorrendo. Era um quarto fechado, com muitas cadeiras e pessoas que tinham em seus rostos expressões de preocupação. Ali fiquei por mais de duas horas. Nesse meio tempo o meu vôo já tinha saído (o último do dia) e ao tentar entender o motivo de estarem me mantendo prisioneiro, levei respostas rudes. Fui tratado como um terrorista, como se tivesse cometido algum crime. Esses homens não queriam saber se eu estava perdendo um vôo, se tinha compromissos ou como iria passar mais uma noite na cidade. Eu não podia nem me dirigir a eles.
Acabei perdendo meu vôo. Não tinha mais nenhum avião que iria para Miami naquela noite então me restaram duas opções: dormi no aeroporto ou achar um hotel. Isso porque mesmo sendo culpa deles, os mesmos não ofereciam nenhum voucher ou dinheiro para que eu pudesse esperar até a manhã seguinte. Olhei para os lados enquanto me dirigia ao hotel e vi dezenas de pessoas e família dormindo no chão do saguão pois não tinham como pagar uma noite em um hotel. E tudo porque foram mandados ao quartinho.... Muitos sem motivo nenhum!
Passei quase três anos no Estados Unidos e adoro aquele país, acho que eles são um exemplo de organização, limpeza e etc... Mas infelizmente se acham os donos do mundo e ainda tem muito o que aprender sobre como tratar as pessoas com respeito e dignidade.

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