domingo, 18 de março de 2012

Visita ao jardim de Monet


Por Mariana F. Infantozzi

Aos sete anos, ganhei um livro da minha mãe chamado “Linéia no Jardim de Monet”, de Christina Bjõrk e Lena Anderson. Trata-se de uma literatura infantil, que conta a história de Linéia, uma menina que adorava flores e acaba conhecendo as obras de Claude Monet, por meio do livro de um amigo. Ela resolve então, ir à França visitar o jardim onde Monet trabalhou em seus quadros. A obra ilustra todo o jardim e fala sobre a vida e as obras do pintor impressionista.
Quando terminei de ler, fiquei com água na boca para fazer o mesmo que Linéia: ir ao jardim e à casa de Monet. Eu amei o livro, realmente viajei na história, mas essa, ainda não é a minha experiência estética.
Quando completei doze anos, em 2005, minha madrinha me deu uma viajem, para eu ir com ela e minha avó à Europa conhecer a Itália e a França. Eu sabia que finalmente tinha chegado minha vez de ir ao jardim de Monet. Era praticamente realizar um sonho, por que sempre pedi para minha mãe me levar até lá e eu esperava essa oportunidade há tempos.
Nós fomos em Julho, no verão escaldante europeu, período perfeito para ver as decorações maravilhosas de flores, que os europeus são especialistas em fazer.
Os Jardins e a casa de Monet se encontram em Giverny, à 45 minutos de Paris, portanto, saímos para a visita de manhãzinha em um dia de muito sol. Durante toda a viagem nem sequer me lembro o que se passava em minha cabeça, só sei que quando cheguei ao local, não pensei em mais nada e vivi aquele momento inesquecível. Fiquei perplexa quando entrei no jardim, não dava para acreditar que realmente estava lá, eu não piscava e nem falava, só tirava fotos e olhava ao redor.
Numa tentativa de descrevê-lo, diria que é um lugar de natureza, vida, paz e energia! A sensação é de estar dentro de uma obra de Monet, de entrar na pintura efetivamente, como se estivéssemos no universo do pintor.
 Era uma mistura de felicidade, alegria, prazer, uma emoção indescritível, que se somou a lembrança do momento que terminei de ler meu livro, e pensei que um dia visitaria aquele lugar fascinante.
Acho que essa junção de sensações com a memória de uma vivência, fizeram-me passar por uma experiência estética. Isso, não só por ter contemplado a beleza do jardim, o visual, mas por ter eu mesma esquecido de mim e entrado em outro mundo, outra órbita! Foi o resultado de uma miscelânea de percepções e sentimentos momentâneos, com um valor, uma história, que adquiri com a leitura do livro. Creio eu, que se não tivesse ganho “Linéia no Jardim de Monet” e não tivesse me empolgado tanto com a leitura, nada do que passei no jardim teria sido igual.



Na foto, eu e minha madrinha na visita ao jardim


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